Tem uma coisa sobre mim que quase ninguém sabe. Tem uma coisa sobre a minha vida que poucas pessoas entendem. E eu preciso desabafar isso aqui, escrever no meu mundinho o que eu carrego. Pra começar, faz muito tempo que eu não escrevo nada sobre ele e nem pra ele. Faz algum tempo que eu não o cito e às vezes evito lembrar. E faz um longo tempo que eu não aguento mais de saudades. “Porque você não fala dele? Porque você não vai atrás dele?”. Eu não gosto e nem costumo falar dele em vão. É especial. E eu queria poder ir atrás dele, mas eu não posso. Porque tem uma coisa que nos separa, existe algo que nos mantém afastados: a morte. Eu o perdi em agosto de 2009. E vou explicar por detalhe a história. Você não é obrigado a ler, se quiser, pode parar por aqui. Eu o conheci na internet. Pra ser mais específica, no “fake”. E começamos uma amizade muito bonita. Na época, eu sofria por um garoto que havia me iludido, eu praticamente entrei em depressão por causa do fulaninho, tentei até me matar. E foi quando ele apareceu. Ele foi meu sonho em meio à tantos pesadelos.E quando eu vejo esses tumblr’s de meninos românticos, quando vejo as respostas que dão print, quando vejo textos de garotos que não tem medo de demonstrar seus sentimentos, eu lembro dele. Parece que tem um pedacinho do Gustavo em cada um desses garotos. Bom, depois de um tempo, descobri que ele estava apaixonado por mim. E sabe quando surge uma felicidade repentina em você? Aquela alegria? Foi um sorriso de verdade que eu dei depois de tanta dor. E namoramos. Mas não durou. Porque mesmo que ele fosse perfeito, eu ainda gostava de um canalha. E ele entendeu. Ele continuou ao meu lado e eu cheguei até a dizer pra ele que o tinha como um irmão. Imagino hoje, como isso deve ter sido doloroso. E ele continuou ao meu lado. Acreditam? Ele continuo me ajudando. E passou um certo período, e ele sempre reclamando de algumas dores na cabeça. Foi quando ele descobriu que possuia um túmor no cérebro. Eu fiquei com medo. Ele ficou com medo, mais que eu, mas não demonstrou. Ele não demonstrava, ele se preocupava somente com o meu sofrimento. E eu não percebia o dele. Ele comentou uma vez com algumas amigas minhas a seguinte coisa: “O médico, mandou eu fazer todas as coisas que eu nunca havia feito. Foi aí que eu descobri que esse tempo todo eu não havia vivido, apenas existia.” Porém, ele escondeu de mim, e eu vim descobrir só depois da sua morte. Nós tinhamos voltado, estamos juntos, e ele sempre animado, sempre dizendo o quanto me amava e que ele era o Jack, e eu era a sua Rose. Mas eu não o amava o suficiente para estar namorando com ele. E eu me pergunto até hoje porque não. Se ele era tudo que eu preciso agora. Eu terminei e foi dessa vez que ele não compreendeu. Paramos de nos falar, e quando eu fui atrás, ele me rejeitou. Nossa última conversa foi uma briga. Um mês depois, um amigo dele, à noite, me deu a notícia de que ele havia falecido. E tudo que eu já tinha recuperado, foi embora. Todo o coração “colado”, se despedaçou e eu coloquei um fardo enorme de culpa sobre as minhas costas. Por ter feito ele sofrer. Pois eu sempre fui uma menina que vivia dizendo que os meninos eram sempre uns idiotas. Que eles sempre faziam mal às garotas. E foi quando o Gu apareceu. E eu quem fui a idiota. Foi eu quem fiz mal a ele. E coloquei na cabeça que toda vez que eu sofresse, toda vez que tudo ficasse ruim, era por merecimento. Por um dia, ter feito mal à alguém que não merecia. Alguém que me amava. E eu não sei me perdoar. Eu não sei lidar com a saudade. Eu só aceito que ele não volta. Mas eu queria poder concertar tudo. Pois eu só dei valor depois que já não o tinha mais ao meu lado. Eu queria poder deixar tudo ao modo correto. Eu queria ter aproveitado mais. Eu queria ter sido tudo o que ele realmente merecia. Por isso hoje, eu tento sempre ser uma pessoa melhor. Eu sempre dou o meu melhor e sempre carrego muita coisa que ele me ensinou. Porque ele foi o único garoto que realmente me amou. É infeliz que eu o tenho perdido, mas pelo menos eu estive com ele. E eu acredito sim, que há garotos que podem fazer diferente, que podem quebrar esses rótulos negativos. Eu acredito que há um pouco de Gustavo dentro de cada homem nesse mundo, só que alguns demonstram mais, outros escondem. Eu só peço que as pessoas dêem o devido valor à quem elas amam. Porque depois, pode ser tarde demais. E se você leu até aqui, eu agradeço.
Gabriela Machado (copodeleite)
Nenhum comentário:
Postar um comentário